quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Para que serve e a quem serve o Professor?


Iniciei minha vida de Professor em 1984 no Paraná. Depois, no mesmo ano, fiz concurso e vim para Mato Grosso junto com meu irmão Caetano João Souza, hoje, Professor Aposentado e junto com o Carlão, Carlos Roberto Pedreiro.

Lecionei 10 anos em Guiratinga.

Depois mudei para Cuiabá e foram mais dois anos, no primeiro, segundo grau e cursinho. E mais um concurso para lecionar pelo município de Várzea Grande.

Vim fazer Direito na UFMT (eu que sempre fui esquerda) e fiz novo concurso e virei Oficial de Justica Federal na Justiça do Trabalho.

E lá se foram 20 anos no TRT.

Neste período, deu saudade do giz e fui dar aula de Cálculo Numérico e Álgebra Linear na UFMT para os cursos de Matemática, Física, Computação e 3 Engenharias: Civil,  Sanitária e Elétrica.

Depois fui dar aulas de Direito em faculdade particular e pendurei o giz em 2003.

Estou a 4 anos da aposentadoria e sinto uma saudade enorme dos tempos do quadro verde.

Enquanto eu saio, entra minha filha Luana Soares de Souza que está no doutorado e será Professora. Orgulho puro do pai, fruto do casamento com minha companheira Nira que também era Professora.

E, hoje, 15 de outubro de 2015, dia do professor, recebi duas homenagens muito especiais de um ex-aluno e uma ex- aluna (é bom lembrar que isto não existe - aluno e professor é para sempre - não existe ex).

Uma das mensagens foi esta, enviada pelo ex-aluno Vandson José dos Santos, que tomo a liberdade de colocar o nome e reproduzir as suas palavras:

"Boa tarde Pedro! Passo aqui para te felicitar pelo dia dia professor! Sei que não exerce mais a pofissão, mais sou lhe grato por um dia me fazer pensar! Obrigado..."

De um deles fui professor há quase 25 anos e do outro há 30 anos.

E isto me colocou a pensar:  para que serve um professor...

E, desde meu primeiro dia que peguei um giz como professor e que o pó dele caiu nos meus olhos, descobri que um professor só serve para alguma coisa se for para fazer o outro pensar.

Pensar além do senso comum, além das leis, além do correto, além do muro, além do que lhe foi ensinado.

Ser Professor é questionar as próprias convicções, é destruir para construir, é matar e morrer para nascer.

É ser rebelde, é ser revolucionário em tudo, desde a revolução interior até a tomada inteira da Terra e até de Marte.

É ser odiado e amado por quem te ouve,  e ser persistente com aquele que não quer te ouvir e prefere olhar para as paredes.

As fórmulas matemáticas, as regras gramaticais, os códigos... Quero eles queimados em praça pública.

Ser Professor não é isto. Ser Professor é fazer pensar.

Pensar dói, dá um monte de confusão na vida da gente.

Mas só temos uma vida e uma vida só existe enquanto se pensa.

Mas a vida plena só existe quando se questiona o próprio pensar como fez Descartes no "Penso, logo existo"  e  Nietzche que contestou e questionou o próprio Descartes.

Ser Professor é causar um mal estar,  é causar a dúvida e não a certeza, é colocar minhoca na cabeça e não vitaminas. É mostrar que onde ninguém vê, há algo.
É encontrar a Lua nova brilhando no céu. É ser desconcertante e não só reformista.

É colocar algo que não existe e que talvez nunca existirá.

É trabalhar com a dúvida e não trabalhar com verdades prontas e acabadas que tem preço no supermercado.

Ser Professora e Professor é ser um Trabalhador que sofre muito, mas que tem o melhor profissão do mundo: cuidar da formação das almas das pessoas, sem se preocupar como serão estas almas no futuro, mas sabendo que estas almas estarão impregnadas com cada pó de giz que caiu nos olhos do professor e que, não será a figura do Professor, nem seus ensinamentos que  permanecerão na memória do aluno, mas sim, seus questionamentos que levaram aquela alma a pensar.

E ao pensar, ao longo da vida, aquele aluno, aquela aluna, aquele Professor, aquela Professora, descobrirão, todos, para que servem e à quem servem.  E a missão estará completa.

E, sempre lembro de Exupéry, no O Pequeno Príncipe:

"Eis o meu segredo: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos. Os homens esqueceram essa verdade, mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."

E termino também com Exupéry:

"Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa sós; leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo."

Cada aluna, cada aluno, leva um pouco de cada Professor, cada Professora e cada Professor e Professora leva um pouco de cada aluna, cada aluno. Para sempre.

Parabéns Professora e Professor pelo seu dia.

Pedro Aparecido de Souza

www.pedroaparecido.com.br

15 de outubro de 2015

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