quarta-feira, 6 de junho de 2018

Ensinaram-me a odiar

Quando nasci, não tinha ódio. Só amor.
Mas a "sociedade" me ensinou a odiar e amar coisas "certas" ao longo da vida.
Assim, logo que cresci ensinaram-me a odiar índios e amar os bandeirantes.
Ensinaram-me a odiar negros e amar os brancos.
Ensinaram-me a odiar pobres e amar os milionários.
Ensinaram-me a odiar quem era diferente da minha religião ou ateu e a amar quem era da minha.
Ensinaram-me a odiar favelado e amar os nobres da região central da cidade.
Ensinaram-me a odiar lutadores e a amar covardes.
Ensinaram-me a odiar quem é viciado em drogas e amar o empresário e dono da droga.
Ensinaram-me a odiar quem defende a vida e amar quem defende o patrimônio.
Ensinaram-me a odiar quem morre torturado e amar os torturadores.
Ensinaram-me a odiar quem critica e amar quem consente.
Ensinaram-me a odiar quem defende que criança não deve trabalhar e amar quem defende crianças trabalhando em carvoaria.
Ensinaram-me a odiar quem não gosta de ricos e amar os ricos.
Ensinaram-me odiar a pirataria e amar as patentes dos bilionários.
Ensinaram-me a odiar rebeldes e a amar ditadores torturadores.
Ensinaram-me a odiar o diferente e a amar o normal.
Ensinaram-me a odiar o sindicalista e a amar o patrão.
Ensinaram-me a odiar o gordo e amar o magrelo.
Ensinaram-me a odiar o homossexual e amar o heterossexual.
Ensinaram-me a odiar o homem escravizado e amar o escravocrata.
Ensinaram-me a odiar a igualdade das mulheres e amar o machismo.
Ensinaram-me a odiar as políticas sociais e amar o financiamento estatal ao bilionário.
Ensinaram-me a odiar o tratamento desigual para desiguais e amar a meritocracia entre bilionários e miseráveis.
Ensinaram-me a odiar quem libertava pássaros e a amar quem matava pássaros
Ensinaram-me a odiar quem lutava contra o veneno na lavoura e amar o veneno na comida.
Ensinaram-me a odiar quem não fumava e amar o tabaco.
Ensinaram-me a odiar quem não dá presentes caros e amar quem dá um anel de diamantes.
Ensinaram-me a odiar a Palestina e amar Israel.
Ensinaram-me a odiar o Iraque e a amar os Estados Unidos.
Ensinaram-me a odiar o marxista e o anarquista e amar os liberais.
Ensinaram-me a odiar o coletivo e amar o individual.
Ensinaram-me a odiar quem não tem e amar quem tem demais.
Ensinaram-me a odiar o ser e amar o ter.
Ensinaram-me a odiar a verdade e amar a mentira.
Ensinaram-me a odiar a solidariedade e amar o egoísmo.
Ensinaram-me a odiar o simples e amar o complicado.
Ensinaram-me a odiar quem pensa diferente e amar quem pensa igual.
Ensinaram-me a odiar quem protege as árvores e amar quem as derrubam.
Ensinaram-me a odiar o devedor e amar os banqueiros.
Ensinaram-me a odiar quem fala "errado" e amar quem fala a gramática dos deuses.
Ensinaram-me a odiar Marx e amar Smith.
Ensinaram-me a odiar qualquer projeto alternativo e amar o capitalismo.
Ensinaram-me a odiar quem não tem terra e amar quem é latifundiário improdutivo.
Ensinaram-me a odiar quem não tem casa e amar quem tem mansão.
Ensinaram-me a odiar mendigo e amar quem os mantém na mendicância.
Ensinaram-me a odiar quem trabalha e produz e amar quem explora.
Ensinaram-me a odiar quem é honesto e amar quem é desonesto.
Ensinaram-me a odiar quem não se vende e amar quem é vendido.
Ensinaram-me a odiar quem ama e amar quem odeia.
Ensinaram-me a odiar...
Mas, lá no fundo, a "sociedade" nunca me ensinou a odiar. Quem me ensinou a odiar foi uma parte de menos de 1% da população que odeia e explora os 99% que são explorados por ela. Estes 1% que controlam a tudo e a todos desde quando nascemos até a nossa morte e depois dela. Que controlam os meios de produção, a televisão, a revista, o livro, o rádio, o jornal, a internet e todo meio de comunicação existente. Que controla cada segundo da sua vida.
Os milionários e bilionários me ensinaram a odiar e amar coisas que lhes interessam.
Cabe a cada um morrer envenenado ou livrar-se do veneno.
Livrar-se do veneno de décadas a fio não é fácil e tem efeitos colaterais graves.
Mas o único meio de ser livre e amar verdadeiramente é fazendo escolhas diferentes do que lhe ensinaram a vida toda.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Boulos é o melhor: uma análise sobre a pré-candidatura de Guilherme Boulos a presidente da República





É importante assistir ao vídeo de uma hora e meia da entrevista que Guilherme Boulos deu em 07.05.2018 para o programa Roda Viva da TV Cultura.

Mas a análise de um pretenso candidato à presidente não pode ficar represada em uma única entrevista. A análise tem que ter observações sobre seu passado, presente e sobre seu partido, o PSOL. 
O PSOL pegou o Boulos no apagar das luzes. Mas isto não tira a legitimidade tanto de Boulos, como do PSOL.

Boulos é mais progressista que o PSOL. E nem se compara com Heloísa Helena em 2006. Heloísa Helena, apesar de fazer oposição ferrenha ao PT à época, e ter recebido apoio de intelectuais como Chomsky, Michael Lövy e Zizek fez uma campanha conservadora e atrasada. Boulos nem se pode comparar com Heloísa.

Boulos tem base real. Pequena, é verdade, mas tem. O que interessa não é a quantidade, mas a qualidade. O MTST é aguerrido, é de luta e faz o embate direto.

Sobre ser o herdeiro de Lula, é melhor que Lula em alguns pontos. Não tem o carisma, nem a história e nem a genialidade de Lula. Mas é mais preparado teoricamente que Lula e faz o enfrentamento melhor que Lula. Lula não é socialista. Boulos é. Em relação ao PT, Boulos está tão distante que nem é possível fazer comparação. O PT virou mais um partido do sistema capitalista, que faz qualquer concessão para gerenciar o capital.

Tanto na entrevista, como nas ações de Boulos, ele não foge de nenhum assunto polêmico. E faz sempre uma análise sem tangenciamento e sem dificuldade de discorrer sobre qualquer tema político. Deu uma surra nos entrevistadores do Roda Viva. E que surra! Deu vergonha. Assim é Boulos. Uma aula. Mas em nenhum momento Boulos fala em rompimento com o sistema capitalista. Defende reformas estruturais que qualquer país capitalista faz: imposto sobre grandes fortunas que já está na constituição, redução de juros, eliminação de privilégios, plebiscitos.

Mas nada de rompimento. Assim como o diabo foge da cruz, Boulos foge do rompimento.

Ele é o melhor para gerenciar o capital. Supera até Ciro Gomes e até Manuela, ambos reformistas e que querem disputar com Boulos o gerenciamento do capital, como o PT já gerenciou.

Boulos é o melhor para gerenciar o capital.

Para os socialistas e para a classe trabalhadora, nem pensar.

Engodo puro, como foi o PT, Ciro Gomes do PDT e Manuela do PC do B.


Pedro Aparecido de Souza



11.05.2018

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Como é duro lutar do outro lado, sem concessões:



. Ateu não tem céu, nem paraíso;
. Marxista trotskista não tem deputado no partido;
. Anarquista não tem partido;
. Nunca vai ter cargo comissionado;
. Não se submete ao sistema e nem ao reformismo;
. Nunca vai apoiar seu patrão, administração ou o governo de plantão;
. Nunca vai ter CÉU nem ser CEO;
. Quer mudar o mundo e parte do mundo te joga balas e pancadas;
. Quer libertar quem não sabe que está acorrentado;
. Deixa sua vida para cuidar da vida dos outros;
. Sempre torcendo pelos mais fracos, até no boxe;
. E ir numa direção quando a maioria  vem na direção oposta.

E segue a luta!
Sem concessões...

13 de abril de 2018


terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Porque não votar em Bolsonaro: quando a psicologia explica a política

Em psicologia existe uma coisa chamada projeção. Esta teoria se deve a Freud e daí ser chamada de "Projeção Freudiana".

Freud definia que a pessoa projeta seus pensamentos, motivações e sentimentos indesejáveis em outra pessoa.

Para Peter Gay, a projeção é a expulsão destes sentimentos obscenos ao se atribuir a outrem estas obscenidades.

Então é fácil culpar alguém pelas nossas falhas e, principalmente se projetar em outro aquilo que você é e não admite nem sob tortura.

Voltamos à política.

Voto é imagem do eleitor no espelho. Como se dá o voto? O eleitor olha no espelho e vê seu próprio reflexo. Analisa qual candidato mais se parece com ele e quais são os pontos básicos que o candidato defende.

Ninguém vota em candidato que não se pareça com o próprio eleitor. Se isto não fosse verdade teríamos o "votocídio": votar em alguém que não me representa.
Portanto, quando o eleitor olha no espelho, analisa o candidato, observa o que ele defende, verifica o que ele já fez e faz, e, decide por votar e defender o candidato, o eleitor está votando na própria imagem do eleitor.

Isto independe de formação escolar, de nível econômico, de gênero. Basta ser eleitor. É instintivo, como se fosse uma luta pela sobrevivência: eu voto em quem me representa.

E, para finalizar, Bolsonaro é:
1. Racista,
2. Homofóbico,
3. Misógeno,
4. Incentivador de estupro,
5. Defende que a mulher tem que ganhar menos que os homens,
6. Defende a tortura,
7. Defende que não houve ditadura,
8. Votou contra os trabalhadores o tempo todo, inclusive votou favorável à Reforma Trabalhista que nos levou à níveis de 1900.
9. Votou a favor do congelamento do orçamento da educação, saúde e segurança por 20 anos e,
10. Mantém a família mamando no Estado e se enricou na política.

Este é o espelho. 

Pedro Aparecido de Souza
09 de janeiro de 2018




domingo, 28 de maio de 2017

Quando a gente não sabe, a solução é a humildade


Quando a gente não sabe, a gente lê sobre o que não sabe.
Quando a gente não sabe, a gente pergunta para quem sabe.
Quando a gente não sabe, a gente pergunta para quem experimentou.
Quando a gente não sabe a gente pergunta para a pessoa simples sem banco escolar, e para os especialistas.
Quando a gente não sabe, a gente lê uns dez textos com pensamentos diferentes.
Quando a gente não sabe, a gente pergunta umas dez vezes para dez pessoas diferentes.
Aí a gente pode dar opinião sobre o que não sabia.
Antes disto é melhor não falar e nem escrever.
A solução, sempre, estará na humildade, reconhecendo a nossa própria ignorância.
Já para tomar decisões, aplique o mesmo remédio com doses elevadas ao cubo.

www.pedroaparecido.com.br



quinta-feira, 25 de maio de 2017

A vidraça sagrada


Cadeia para todos os vândalos!


Vandalismo não!

Vandalismo, não!


Alguns fatos que comprovam isto:

Retirar direitos trabalhistas e retirar direitos previdenciários;

Corrupção de bilhões da JBS;

Corrupção de bilhões da Odebrecht;

Corrupção da maioria dos políticos;

Milhares de mortes nas filas dos hospitais;

Milhares de futuros mortos nas escolas públicas aos pedaços;

Chega de vandalismo!

Também sou contra quebra de vidraças.

www.pedroaparecido.com.br