quarta-feira, 20 de julho de 2016

Hoje é um dia de festa e de tristeza para as Trabalhadoras e Trabalhadores no judiciário federal.



* Pedro Aparecido de Souza

Hoje será a sanção da recomposição parcial da inflação de 28% na folha, do pagamento à vista de 25% para os CJs, do sepultamento para sempre dos 13,23% (com veto ou não do art. 6°) e do parcelamento até 2019.

De janeiro de 2007 até julho de 2016, segundo o índice oficial de inflação medido pelo INPC, a inflação acumulada foi de 83,35%.

Neste período, tivemos a recomposição da inflação em 15,8 % na folha.

A recomposição das parcelas de 2007 e 2008 foram recomposição de inflação anterior a 2007.

Portanto, 83,35% menos 15,8% dá uma perda salarial para a inflação de 67.55% de janeiro de 2007 a julho de 2016.

O que vai ser sancionado hoje é, na média, 28% sobre a folha e vai ser parcelado até janeiro de 2019.

Com a inflação em cerca de 10% ao ano teremos inflação acumulada até janeiro de 2019 em torno de 30%.

Ou seja, em fevereiro de 2019 teremos uma perda acumulada de salário para a inflação em torno de 65%.

A DATA-BASE e RGA o PT de Lula e Dilma não deram e o PMDB de Temer junto com PSDB e DEM também não darão.

Não derrubamos o veto 26 por 6 míseros votos.

Colocamos 20.000 pessoas cercando o Congresso Nacional.

Dois morreram em combate.

Greves desde 2009. Seis anos de Greves e mais Greves. Cortes de ponto. Perdas de FCs. Perda de saúde para milhares.

Se os sindicalistas pelegos que se uniram com Amarildo, Lewandowski, governo federal, PT, PC do B e a base aliada do governo federal tivessem se omitido, hoje, estaríamos com nossa dignidade restaurada.

Mas não se omitiram. Fizeram campanha 24 horas contra a derrubada do veto e até faziam piadas.

Teríamos mais de 50 votos na Câmara dos Deputados além do necessário para derrubar o veto e no Senado passaria como passou o projeto no Senado.

Agora, é lamber as feridas e procurar uma luz no fim do túnel. E que não seja o trem.

Parabéns aos que lutaram e lutam, todos os dias.

Aos pelegos e amigos dos patrões, a história e a Categoria não os absolverão.

O último que sair não esqueça de pagar a luz. Ou o pato.

* Pedro Aparecido de Souza é Trabalhador no judiciário federal.

20 de julho de 2016

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sexta-feira, 10 de junho de 2016

Esqueçam os deuses

* Pedro Aparecido de Souza

Lewandowski virou um leão na defesa do reajuste que elevará para cerca de R$ 40.000,00 os salários dos juízes, com efeito cascata.

Ah! Se ele fizesse 1% para nós, Trabalhadores e Trabalhadoras no judiciário federal, do que faz pelos juízes...

Os últimos que se importaram com a ralé que faz o Trabalho todo foram Hellen Gracie e Nélson Jobim.

Depois deles, TODOS os presidentes deram TUDO só para juízes.

E para os servos, o STF deu METAS, METAS e METAS.

Além de criminalizar nossas Greves e retirar a maioria dos nossos direitos, como os 13,23% e a incorporação de 1998 a 2001.

Parem de adorar deuses. Acreditem em vocês mesmos, Trabalhadoras e Trabalhadores no judiciário federal.

Só você pode se salvar junto com mais 130.000 pessoas como você.

Desde 2003 a Categoria defende a RGA e DATA-BASE. Agora tem que ser nosso foco principal.

RGA e DATA-BASE JÁ!

Esqueçam os deuses.

* Pedro Aparecido de Souza e Trabalhador no judiciário federal.

10 de junho de 2016

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quarta-feira, 8 de junho de 2016

Todo dia a gente luta.



Ninguém é alguma coisa eternamente ou nasceu para morrer como nasceu.

Todos os dias a gente luta para ser honesto, solidário, companheiro, fraterno, fiel, tolerante, coletivo.

Todos os dias a gente luta para não ser racista, não ser machista, não sucumbir as tentações da exploração, não se vender, não desistir.

Todos os dias a gente luta.

E de noite a gente sonha. Sonha com um mundo melhor para todas as pessoas e não só para meia dúzia de donos do mundo que não querem que a gente lute e nem sonhe.

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08 de junho de 2016


terça-feira, 7 de junho de 2016

A importância da RGA, data-base e inflação e juros baixos para a Classe Trabalhadora


* Pedro Aparecido de Souza

Desde 1998 a RGA - Revisão Geral e Anual está garantida para os Servidores Públicos na constituição da República.

A data-base está garantida desde 2001, através de lei federal.

A inflação baixa não está garantida em lugar algum.

Os juros baixos não estão garantidos em lugar algum.

Revisão Geral Anual - RGA e a data-base são imprescindíveis para o Servidor Público manter o seu poder aquisitivo. Enquanto muitos criticam esta indexação, é bom lembrar que os contratos da administração pública com os empreiteiros são indexados. Os contratos de concessão também são indexados. Todos têm reajustes com “data-base patronal”.

Não vou entrar no mérito sobre a RGA e data-base. São simplesmente necessárias. Vou me ater à questão da inflação e juros baixos.

Todo ano, a grande luta da Classe Trabalhadora, dentro dela os Servidores Públicos, tem como objeto a reposição da inflação anual do ano anterior. Isto no mundo inteiro.

Então, vale aquela máxima: quem mais perde com a inflação no capitalismo é a Classe Trabalhadora. A inflação baixa não transfere renda nem para os patrões e nem para os Trabalhadores. Já a inflação alta transfere renda para os patrões, retirando dos Trabalhadores.

Utilizando um exemplo com inflação sob controle como a União Europeia podemos visualizar e entender como a inflação alta penaliza a Classe Trabalhadora.

Em um país com inflação entre 0% e 1% ao ano, mesmo se a Classe Trabalhadora não tiver reposição da inflação, em uma década, esta terá uma perda de poder aquisitivo de até 10%.

Agora vamos pegar o exemplo do Brasil com uma inflação na casa de 11% ao ano. Caso não ocorra a reposição da inflação, em uma década, a Classe Trabalhadora terá uma perda de poder aquisitivo de inacreditáveis 110%.

E por último os juros baixos. Em um país com juro zero (sim, existem, e tem alguns com juros negativos, coisa que nós, brasileiros, não conseguimos sequer imaginar, pois você coloca 100 e retira 98) ou 1% ao ano, se a Trabalhadora ou Trabalhador financiar um televisor em 12 meses, ele pagará no máximo (sem capitalização) 1% de juros.

Supondo que o televisor custe R$ 1.000,00, ele pagará ao final do financiamento (sem capitalização) R$ 10,00 de juros.

Agora um exemplo do Brasil. Se a Trabalhadora ou Trabalhador pegar um financiamento de 60% ao ano (financiamento bancário comum), ao final ele pagará 60% (sem capitalização) 60% de juros.

No caso do televisor de R$ 1.000,00, se comprado e financiado no Brasil, se pagará ao final do financiamento (sem capitalização) R$ 600,00 de juros.

Se o empréstimo, no Brasil, for no cartão de crédito a Trabalhadora ou o Trabalhador pagará inacreditáveis 450% de juros ao ano.

No mesmo exemplo, se o valor for R$ 1.000,00, se financiado pelo cartão de crédito, se pagará ao final de 12 meses, inacreditáveis (sem capitalização) R$ 4.500,00 (mais de quatro vezes o valor inicial) de juros.

Diante de todos os dados, a Classe Trabalhadora deve ter como foco de luta a curto prazo a Revisão Geral Anual - RGA e a data-base. E não deve, e nem pode, em hipótese alguma, abrir mão delas.

Mas a longo prazo o que fará diferença para garantir o poder aquisitivo da Classe Trabalhadora é a redução da inflação e dos juros.

Com estas bases e premissas, o próximo passo é a distribuição de renda, que não depende de nenhuma destas variáveis, pois um país pode ter todos estes instrumentos funcionando adequadamente, e não ter distribuição de renda.

A distribuição de renda depende de vontade política de privilegiar a Classe Trabalhadora em detrimento da classe  parasita que explora a Classe Trabalhadora.

E lógico, depende de crescimento econômico. Sem crescimento econômico não há o que distribuir.


* Pedro Aparecido de Souza é membro da Classe Trabalhadora


07 de junho de 2016





segunda-feira, 16 de maio de 2016

Artigo 871 do novo CPC: qual é o futuro do Oficial de Justiça?

* Pedro Aparecido de Souza

A mudança no novo CPC sobre a desnecessidade de avaliação de determinados bens pelo Oficial de Justiça coloca um esvaziamento de grande parte de nossas atribuições.

"Art. 871 Não se procederá à avaliação quando:

.......

IV – se tratar de veículos automotores ou de outros bens cujo preço médio de mercado possa ser conhecido por meio de pesquisas realizadas por órgãos oficiais ou de anúncios de venda divulgados em meios de comunicação, caso em que caberá a quem fizer a nomeação o encargo de comprovar a cotação de mercado.

Parágrafo único. Ocorrendo a hipótese do inciso I deste artigo, a avaliação poderá ser realizada quando houver fundada dúvida do juiz quanto ao real valor do bem."

Lembrem-se:  juiz, auditor, promotor, procurador, gestor, delegado e outros não abrem mão de nem um milímetro de atribuição. Brigam como leão por isto.

Simples. Atividade que não é importante é mal remunerada ou extinta.

Atividade importante e com poucas atribuições  é mal remunerada ou extinta.

Acompanho dezenas de carreiras no Serviço Público há 32 anos. Vamos falar do judiciário federal?

Na Justiça Eleitoral sequer existe o cargo de Oficial de Justiça, sendo que "emprestam" do judiciário estadual.

Cadê o Auxiliar? Extinção.

O que ocorreu com os Agentes? Não há mais concursos.

O que está ocorrendo com os Técnicos? Diminuição drástica do número de vagas nos atuais concursos e daí a necessidade do curso superior para Técnico).

Além do mais, observe que o Oficial de Justiça Avaliador Federal não possui nem mais cargo. É  apenas uma especialidade. Até 1996 era cargo.

Na lei 11.416/2006, no artigo 4°, com mudanças  da lei 12.774/2012:

"Art. 4o  As atribuições dos cargos serão descritas em regulamento, observado o seguinte:

I - Carreira de Analista Judiciário: atividades de planejamento; organização; coordenação; supervisão técnica; assessoramento; estudo; pesquisa; elaboração de laudos, pareceres ou informações e execução de tarefas de elevado grau de complexidade;

II - Carreira de Técnico Judiciário: execução de tarefas de suporte técnico e administrativo;

III - Carreira de Auxiliar Judiciário: atividades básicas de apoio operacional.

§ 1o  Os ocupantes do cargo de Analista Judiciário - área judiciária cujas atribuições estejam relacionadas com a execução de mandados e atos processuais de natureza externa, na forma estabelecida pela legislação processual civil, penal, trabalhista e demais leis especiais, serão enquadrados na especialidade de Oficial de Justiça Avaliador Federal. (Redação dada pela Lei nº 12.774, de 2012)"

O segredo das atividades importantes e bem remuneradas (a nossa ainda é: OJAF tem a maior remuneração da carreira) é ter muita gente para fazer o serviço e ter muitas atribuições importantes.

A luta por mais Oficiais de Justiça  tem que ser permanente,  e a luta, não para manter as atribuições, mas para aumentá-las tem que ser permanente.

Queremos ser carreira típica de Estado, o nome do nosso cargo na constituição ou queremos ter atribuição reduzida e uma remuneração ruim e, talvez, até a extinção do cargo?

É doído ouvir isto, mas é a realidade. Não temos OJAFs na quantidade desejada por todos nós e o Trabalho é pesado.

Para aqueles que estão próximos da aposentadoria ou já se aposentaram vão depender da importância do cargo para mater uma aposentadoria digna.

Mas para quem tem 15, 20, 30, 40, 50 ou até 60 anos pela frente como Oficial de Justiça  (sim, quem entra hoje com 20 anos de idade como Oficial, Trabalhará no mínimo 60 anos como OJAF!!!!) tem que pensar na Carga de Trabalho para ter qualidade de vida, mas também tem que pensar na importância do Cargo e das atribuições sob pena de ter o Cargo mal remunerado ou até extinto.

Nossa vida não é fácil, mas temos que projetar como será nossa atividade nos próximos 10, 20, 30 anos.

* Pedro Aparecido de Souza é Oficial de Justiça Avaliador Federal na Justiça do Trabalho.

16.05.2016

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quarta-feira, 11 de maio de 2016

O PT e PC do B são vítimas ou carrascos?



* Pedro Aparecido de Souza

Não vai ter golpe: ex-presidente da CNI Armando Monteiro defendendo o PT e o mandato de Dilma.

Armando foi presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco. Armando foi presidente da CNI - Confederação Nacional da Indústria de 2002 a 2010.

Além dele temos Kátia Abreu da UDR.

Em vez de se aliarem com a Classe Trabalhadora, o PT e PC do B fizeram alianças com Maluf, Collor, ACM, Renan, Jader Barbalho, Henrique Meirelles do PSDB, Delfim Neto, Reinhold Stephanes da ditadura militar, Blairo Maggi e tantos outros inimigos da Classe Trabalhadora.

Bradesco, Itaú, banqueiros, latifundiários e empreiteiros se tornaram os parceiros do PT e PC do B, principalmente no financiamento de campanhas. Enlamearam-se na corrupção. Destruíram o nome da Petrobras e assaltaram-na. Além do Mensalão.

Privatizaram rodovias, portos e aeroportos, retiraram direitos trabalhistas, retiraram direitos previdenciários.

Não resolveram o analfabetismo, os problemas da saúde e da educação.

Não fizeram reforma agrária.
Cooptaram a maioria dos Movimentos Sociais, como a UNE, CUT, CTB e tantas centrais sindicais pelegas e traidoras. Salvaram-se apenas a CSP-CONLUTAS e as duas INTERSINDICAL.

Desde o início em 2003, fizeram-se gerentes do capitalismo e depois, sócios.

Conseguiram retirar direitos que nem o FHC conseguiu, como, por exemplo, as retiradas de direitos previdenciários.

Conseguiram aprovar a lei do terrorismo.

Não aceitaram a data-base aos Servidores Públicos que está na Constituição.

Não devolveram nosso direito de Greve.

Não devolveram um único direito que FHC tirou.

Não estatizaram uma única empresa que FHC privatizou.

Privatizaram a saúde. Privatizaram os Hospitais Universitários. Encheram a saúde com OSs.

Deram bilhões para os empresários da educação privada.

Deram bilhões de reais para mega-empresários através de incentivos fiscais, enquanto estes demitiam os Trabalhadores.

Pagaram, todos os anos, metade de tudo que se arrecadava no país, para os banqueiros para pagar a dívida e os juros da dívida.

Mantiveram o superavit fiscal primário à custa de arrocho na Classe Trabalhadora.

Realizaram a mesma política econômica do PSDB, que agora terá continuidade com Temer. Se Temer cair fora, será feita por Renan ou qualquer outro. Todos atacarão a Classe Trabalhadora como o PT e PC do B fizeram.

Vocês não deixarão saudades para a Classe Trabalhadora. Se igualaram ao DEM, PSDB, PMDB.

Deixam, sim, uma herança tenebrosa de traição à Classe Trabalhadora e uma marca de corrupção.

Fui filiado ao PT de 1985 a 1992 e oposição ao PT de 2003 a 2016, e posso dizer sem medo: o PT deu um golpe na Classe Trabalhadora.

PT e PC do B: não esqueceremos destes partidos. Eles nos traíram.

Os primeiros traidores a gente nunca esquece.

11.05.2016

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sexta-feira, 6 de maio de 2016

Um pequeno balanço apaixonado e de luta dos 11 anos na FENAJUFE




Balanço na FENAJUFE


Como começar e como terminar o relato de 11 anos?
Difícil, pois foram 11 anos dentro de outros 32. Depois eu explico.
No último dia do 9º CONGREJUFE falei para alguém que não é possível fazer luta de verdade sem paixão. Assim vivo, cada minuto, sempre com paixão. E os 11 anos na FENAJUFE foram de muita paixão por tudo que fiz e que não fiz.
Tentarei não dizer o nome de ninguém pois seria injusto com as milhares de pessoas que passaram pela minha jornada nestes 11 anos.
Tudo começou em 2004 quando fui eleito suplente e o titular renunciou. Em 2005 assumi a titularidade na FENAJUFE.
Inicialmente, fui eleito por uma chapa composta de diversos grupos chamada de “Fenajufe Independente”e logo depois me aproximei do LUTA FENAJUFE, onde tenho orgulho de militar até hoje.
E para fazer justiça: teve vários companheiros e companheiras que fizeram muito mais que eu. Dentro do LUTA FENAJUFE dedicamos nossas vidas, nossos finais de semana, nossas férias, nosso lazer e até parte da vida de nossas famílias. Ser do LUTA FENAJUFE é um ônus e não um bônus.
Foram finais de semanas sequenciais viajando para ajudar as oposições nos Estados, ajudar as novas diretorias a se organizarem nas crises, reuniões da diretoria executiva em Brasília, Ampliadas, Plenárias, Congressos, Movilizações, Greves, Atos.
A FENAJUFE sempre esteve em boas mãos. As mãos das Trabalhadoras e Trabalhadores que são funcionárias(os) na FENAJUFE. São eles que fazem a roda girar, que deixam tudo pronto para que os coordenadores possam atuar. Vai rolar muitas saudades de todos vocês.
Sempre fui adepto de que coordenadores tenham, no máximo, dois mandatos consecutivos. Quando chegou a possibilidade de 3º mandato não queria, mas o LUTA FENAJUFE me convocou. Tinha pessoas novas e seriam necessárias outras pessoas com mais experiência. Como soldado aceitei. No último congresso, não fui candidato (apenas constou o meu nome na chapa). Minha jornada já havia se esgotado enquanto coordenador na FENAJUFE.
Saio como entrei, só que com menos cabelo e os poucos que sobraram quase todos brancos. Lutei muito, mas outros lutaram mais. Do começo ao fim, junto com os amigos e amigas do LUTA FENAJUFE fizemos uma luta sem trégua ao peleguismo, ao governismo e ao oportunismo.
Saio sem nenhum inimigo. Saio sem ódio, sem mágoas, sem sentimento de vingança. Sei que minhas palavras são fortes e, geralmente, irônicas e às vezes ácidas, e provocaram vários tipos de sentimentos. Mas faz parte da luta.
Voltando ao início. São 11 anos de FENAJUFE dentro de outros 32 de militância na vida sindical e nos Movimentos Sociais. Comecei no distante 1984 em Guiratinga - MT, e em 1985 fundamos o Sindicato dos Professores (que na época era proibido Sindicato para Servidores Públicos) e nunca mais parei. Minha convicção socialista nunca me abandonou e só aprofundou em todos estes anos e encontrei no LUTA FENAJUFE pessoas dispostas a mudar a nossa Categoria e o mundo.
Em 11 anos de FENAJUFE nunca tive liberação para mandado classista pela FENAJUFE, exceto em 3 meses quando assumi a Coordenação Geral da FENAJUFE.
Desde o início do ano estou na base cumprindo mandados judiciais como Oficial de Justiça Federal, sendo coordenador da FENAJUFE e diretor no SINDIJUFE-MT.
Nunca me arrependi de nada. Sempre fiz tudo com paixão. Não faço nada que sem paixão, porque passa a ser obrigação, e na FENAJUFE fiz exatamente isto. Construí muitas amizades e algumas adversidades.
O resultado é animador. Com o LUTA FENAJUFE à frente desfiliamos a FENAJUFE da CUT há 3 anos.
Desfiliamos a CUT de todos os Sindicatos no judiciário federal (os últimos que cairão serão o SINDIQUINZE de Campinas nesta semana e o SISEJUFE nos próximos dias).
Devolvemos mais de uma dezena de Sindicatos no judiciário federal para os legítimos donos, os Sindicalizados, tirando os governistas das direções.
No penúltimo Congresso, a Oposição Nacional empatou com os governistas. No último Congresso os governistas são minoria.
Agora serão outros desafios para a FENAJUFE. Os desafios não param para uma Categoria que sofre com cerca de 70% de perda salarial para a inflação oficial.
Mas tive orgulho de participar e ajudar em dezenas de Greves, Lutas e todo tipo de Mobilização.
As Greves de 2006, 2009, 2010, 2011, 2012 e até chegar na última do ano passado que foi a maior greve da nossa Categoria e que, pela primeira vez, teve 26 Estados e o DF na Greve.
Orgulho de participar da Greve mais longa da Classe Trabalhadora no Brasil realizada pelas Trabalhadoras e Trabalhadores na base do SINDIJUFE-MT que durou inacreditáveis sete meses e meio (223 dias) contínuos e com corte de ponto.
No último ano, as Caravanas para Brasília, o trabalho dentro do Congresso, a aprovação na Câmara, no Senado e o veto. A tentativa de derrubada do veto, que teve mortes na Categoria durante a guerra. Sangue dos nossos que escoou no Planalto Central. Choro, muito choro.
Durante estes 11 anos também chorei muito, em diversas ocasiões. Muitas vezes pensei em desistir e ir cuidar das flores do meu jardim, mas nunca desisti, quando via tanta gente sempre lutando, varando madrugadas sem dormir.
Todo militante deixa uma parte da vida que doa para outros. São todos sangue “0” negativo: são doadores universais. E dificilmente acham doadores para si.
Um agradecimento especial à minha companheira que aguentou 11 anos de um cigano inveterado e meus filhos a quem subtrai a minha presença em tantos finais de semana.
E aos que lutam sempre, na chuva e no sol, tiro o meu chapéu. Vocês me enchem de orgulho.
Muita coisa fica para trás na vida de um militante. Mas o sonho e a utopia é maior que qualquer coisa que fica para trás.
De tudo, levo só coisas boas. E a melhor coisa são as amizades que adquiri na luta.
O texto ficou meloso, mas não queria que ficasse diferente, porque sou chorão e humano.
Estarei junto ao LUTA FENAJUFE para ajudar a Categoria no que for preciso.
Continuo na luta. A luta continua, companheiros.
Trabalhadores, uni-vos! ou seremos sempre derrotados.
Nos encontraremos nas esquinas da luta.
Pedro Aparecido

sábado, 19 de março de 2016

Sentença judicial de 1º grau dos 13,23% do SINDIJUFE-MT SOBRE A REMUNERAÇÃO E COM ATUALIZAÇÃO DESDE 2003

Sentença judicial de 1º grau dos 13,23% do SINDIJUFE-MT SOBRE A REMUNERAÇÃO E COM ATUALIZAÇÃO DESDE 2003 (TREZE ANOS DE CORREÇÃO MONETÁRIA). O primeiro processo judicial do SINDIJUFE-MT é de 2007.


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Leia, na íntegra a sentença da 3ª vara da Justiça Federal de Mato Grosso:

https://drive.google.com/open?id=0B-LrCLZ9b0HxalV0c3BxbUN1R1U

19 de março de 2016




segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A base pode defender o quiser, mas a direção sindical não: o caso médico do leitinho


Iniciei minha vida sindical há longínquos 31 anos, sempre lutando contra governos, contra patrões/administrações e contra capatazes dos patrões, os pelegos.

E aprendi uma coisa muito importante desde cedo: a base pode defender o que quiser, mas a direção do Sindicato não.

Uma direção de Sindicato deve, sempre, defender o que foi deliberado pela Categoria em suas instâncias.

Mesmo que a posição da Categoria não seja a melhor opção, cabe à direção sindical acatar, lutar  e defender o que a base decidiu. Antes de decidir cabe à direção sindical informar a Categoria, alertar, debater, jogar luz e apontar caminhos. Depois de decidido só cabe acatar e lutar pelo que foi decidido.

Lembro bem quando tivemos a disputa pelo modelo remuneratório, entre subsídio e VB (vencimento básico). Havia um fórum de debates na internet dominados pelos subsidianos. Eu o frequentava diariamente.

No SINDIJUFE-MT e na FENAJUFE os Trabalhadores haviam decidido que eram a favor da manutenção do vencimento básico.

Em todas as minhas falas no fórum de debate e em todas as situações sempre defendi a posição da Categoria, à época. Mas eu, pessoalmente, era a favor do subsídio (com uma tabela que não trouxesse prejuízos).

Mas nunca ninguém ouviu da minha boca ou leu da minha lavra uma única linha para defender o subsídio. Simples: eu tinha a obrigação de lutar pelo que a Categoria decidiu. Ponto final.

Por que estou colocando isto? Para reafirmar que a nossa Categoria em 28 Sindicatos decidiu que não quer o zero, mas não quer perder os 13,23%, não quer dar 25% de reajuste para CJ e não quer parcelamento em 4 anos.

Então, volto ao princípio. A base pode defender o quiser, mas a direção sindical não.

Se na base do Sindicato, em Assembleia, foi deliberado estes pontos, qualquer direção que aceitar perder os 13,23%, aceitar dar 25% para CJ e aceitar 4 anos de parcelamento tem que ser denunciada porque está traindo a Categoria.

Qualquer direção sindical que queira defender algo diferente do que os próprios Trabalhadores decidiram em Assembleia que tenha a hombridade de chamar uma outra Assembleia e fazer o debate e decidir novamente.

A base pode fazer o que quiser, mas a direção sindical não.

Em relação à luta pela derrubada do veto foi a mesma coisa. A Categoria, em todos os Sindicatos, decidiu pela derrubada do veto do PLC 28/2015. A direção que defendeu a manutenção do veto ou ficou colocando obstáculos na luta pela derrubada do veto foi traidora dos Trabalhadores.

Em resumo: quem for da base, pode beber leite do Lewandowski à vontade.
Para as direções sindicais está proibido por recomendações médicas, digo, das Assembleias.

Para as direções sindicais está proibido beber leite que contenha três componentes cancerígenos (13,23% - absorção), B (25% para CJ - aumento) e C (4 anos - parcelamento).

A direção sindical quer defender o leitinho? Pode sim. É só voltar para base.
Mas enquanto for direção sindical não pode.

Pedro Aparecido de Souza
07 de dezembro de 2015.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Para que serve e a quem serve o Professor?


Iniciei minha vida de Professor em 1984 no Paraná. Depois, no mesmo ano, fiz concurso e vim para Mato Grosso junto com meu irmão Caetano João Souza, hoje, Professor Aposentado e junto com o Carlão, Carlos Roberto Pedreiro.

Lecionei 10 anos em Guiratinga.

Depois mudei para Cuiabá e foram mais dois anos, no primeiro, segundo grau e cursinho. E mais um concurso para lecionar pelo município de Várzea Grande.

Vim fazer Direito na UFMT (eu que sempre fui esquerda) e fiz novo concurso e virei Oficial de Justica Federal na Justiça do Trabalho.

E lá se foram 20 anos no TRT.

Neste período, deu saudade do giz e fui dar aula de Cálculo Numérico e Álgebra Linear na UFMT para os cursos de Matemática, Física, Computação e 3 Engenharias: Civil,  Sanitária e Elétrica.

Depois fui dar aulas de Direito em faculdade particular e pendurei o giz em 2003.

Estou a 4 anos da aposentadoria e sinto uma saudade enorme dos tempos do quadro verde.

Enquanto eu saio, entra minha filha Luana Soares de Souza que está no doutorado e será Professora. Orgulho puro do pai, fruto do casamento com minha companheira Nira que também era Professora.

E, hoje, 15 de outubro de 2015, dia do professor, recebi duas homenagens muito especiais de um ex-aluno e uma ex- aluna (é bom lembrar que isto não existe - aluno e professor é para sempre - não existe ex).

Uma das mensagens foi esta, enviada pelo ex-aluno Vandson José dos Santos, que tomo a liberdade de colocar o nome e reproduzir as suas palavras:

"Boa tarde Pedro! Passo aqui para te felicitar pelo dia dia professor! Sei que não exerce mais a pofissão, mais sou lhe grato por um dia me fazer pensar! Obrigado..."

De um deles fui professor há quase 25 anos e do outro há 30 anos.

E isto me colocou a pensar:  para que serve um professor...

E, desde meu primeiro dia que peguei um giz como professor e que o pó dele caiu nos meus olhos, descobri que um professor só serve para alguma coisa se for para fazer o outro pensar.

Pensar além do senso comum, além das leis, além do correto, além do muro, além do que lhe foi ensinado.

Ser Professor é questionar as próprias convicções, é destruir para construir, é matar e morrer para nascer.

É ser rebelde, é ser revolucionário em tudo, desde a revolução interior até a tomada inteira da Terra e até de Marte.

É ser odiado e amado por quem te ouve,  e ser persistente com aquele que não quer te ouvir e prefere olhar para as paredes.

As fórmulas matemáticas, as regras gramaticais, os códigos... Quero eles queimados em praça pública.

Ser Professor não é isto. Ser Professor é fazer pensar.

Pensar dói, dá um monte de confusão na vida da gente.

Mas só temos uma vida e uma vida só existe enquanto se pensa.

Mas a vida plena só existe quando se questiona o próprio pensar como fez Descartes no "Penso, logo existo"  e  Nietzche que contestou e questionou o próprio Descartes.

Ser Professor é causar um mal estar,  é causar a dúvida e não a certeza, é colocar minhoca na cabeça e não vitaminas. É mostrar que onde ninguém vê, há algo.
É encontrar a Lua nova brilhando no céu. É ser desconcertante e não só reformista.

É colocar algo que não existe e que talvez nunca existirá.

É trabalhar com a dúvida e não trabalhar com verdades prontas e acabadas que tem preço no supermercado.

Ser Professora e Professor é ser um Trabalhador que sofre muito, mas que tem o melhor profissão do mundo: cuidar da formação das almas das pessoas, sem se preocupar como serão estas almas no futuro, mas sabendo que estas almas estarão impregnadas com cada pó de giz que caiu nos olhos do professor e que, não será a figura do Professor, nem seus ensinamentos que  permanecerão na memória do aluno, mas sim, seus questionamentos que levaram aquela alma a pensar.

E ao pensar, ao longo da vida, aquele aluno, aquela aluna, aquele Professor, aquela Professora, descobrirão, todos, para que servem e à quem servem.  E a missão estará completa.

E, sempre lembro de Exupéry, no O Pequeno Príncipe:

"Eis o meu segredo: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos. Os homens esqueceram essa verdade, mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."

E termino também com Exupéry:

"Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa sós; leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesmo."

Cada aluna, cada aluno, leva um pouco de cada Professor, cada Professora e cada Professor e Professora leva um pouco de cada aluna, cada aluno. Para sempre.

Parabéns Professora e Professor pelo seu dia.

Pedro Aparecido de Souza

www.pedroaparecido.com.br

15 de outubro de 2015

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Bom dia, Dignidade


Bom dia, Dignidade.

Em homenagem ao André, Trabalhador no judiciário federal no DF (mesmo nome do meu filho e de meu pai) que foi espancado covardemente defendendo nossa Categoria.

Eu tenho filhos, quero ter futuro, quero ter vida (que o André não sabemos se terá depois do traumatismo craniano e do pulso esmagado).

Me roubem, me espanquem, me maltratem, me torturem, me deixem na sarjeta, me deixem sem nada.

Mas não levem minha Dignidade.

Ela não tem preço.

Como anda a sua Dignidade?

Já se olhou no espelho hoje?

Consegue sentir orgulho de você? Da sua luta?

O que você tem feito pelo seu futuro?

Só tem um jeito de você não perder sua Dignidade: entrar na Greve neste minuto, abandonar sua cadeira e seu monitor, ir para Brasília de ônibus, de jegue, de bicicleta no dia 18.

Bom dia, Dignidade!

Eu hoje olhei no espelho e há 52 anos te vejo linda e sorridente, Dignidade.

Dignidade, eu ainda tenho você do meu lado.

Que bom!

Agora é com você: corre e dá uma olhadinha rápida no espelho e verifica se você não está só e desacompanhado.

Sempre é tempo, sempre é possível, enquanto ainda se respira.

Bom dia, Dignidade. Minha linda!

13 de agosto de 2015

Pedro Aparecido de Souza

www.pedroaparecido.com.br




domingo, 9 de agosto de 2015

Pai



Perdi meu pai quando tinha 5 anos. Há 47 anos atrás. Diziam todos que ele me tratava com muito carinho.

Não me lembro, evidentemente. Era um homem muito carinhoso e honesto.

Ele se foi levado pelo tétano. Minha mãe foi também meu pai durante toda a sua vida até nos deixar aos 94 anos.

Hoje sou pai de três filhos: Luana (24 anos), André (14 anos) e Morgana (10 anos).
Isto é um privilégio. Muitos gostariam de ser pais e não podem. Outros não tiveram a oportunidade. Outros não quiseram, simplesmente.

Ser pai não pode ser decodificado, transplantado ou colocado em fórmulas matemáticas ou ensinar em algum manual.

Ser pai simplesmente não tem como ser ensinado em teoria. As coisas vão acontecendo e você vai aprendendo junto com os filhos.

Luana, minha socialista preferida, já está fazendo doutorado, já saiu de casa. André, meu anjo azul, já se comunica com o mundo do seu jeito (de todos os filhos foi o que mais avançou, porque teve menos oportunidade para isto, devido ao seu quadro autista). Morgana, minha doce artista, vive discutindo teorias filosóficas gregas aos 10 anos.

A felicidade é um conjunto de coisas que temos ou não temos: paz, tranquilidade, sonhos, amigos, família, trabalho, esperança, e tantas outras coisas. A felicidade nunca bateu à minha porta. Quando nasci, ela já estava no sofá da sala me esperando para uma boa conversa que dura até hoje.

Ter três filhos e, entre eles ter um filho especial, o André, me motivou ainda mais a valorizar a vida. Me fez crescer, me provocou uma metamorfose, me fez de crisálida à borboleta, de borboleta à crisálida, de crisálida à borboleta centenas de vezes.

Ter filho é algo inenarrável. Ter um filho especial, então, é de perder o fôlego. É uma aula de vida. Não é fácil. Na vida nada é fácil.

Minha militância enquanto tentativa de melhorar o mundo e não só o meu, me fez ver que a vida vale a pena, sempre. Que dificuldades não são passageiras, são eternas. E temos de transformá-las em experiências para a vida, para a transformação.

Nunca reclamei da vida. Só agradeço. Não perco tempo com amarguras, ou com pessoas amargas. Não vale a pena.

E os filhos não são nossos, são do mundo, são de outro mundo. Na mesma hora que tudo é eterno, também é efêmero, passageiro. Nada é nosso. Os filhos também não. Nós não somos nossos. Somos de algo maior, do Universo. E não temos a menor ideia do que estamos fazendo aqui, perdidos nesta imensidão silenciosa.

Enquanto os filhos e nós estivermos aqui neste mundão, saibamos valorizá-los a cada minuto porque eles estão aqui de passagem, como nós.

Não percamos o trem. Só temos um único bilhete e com data marcada para desembarque.

Pedro Aparecido de Souza

09 de agosto de 2015








terça-feira, 14 de julho de 2015

Ainda existem juízes em Berlim. Haverá presidente do STF após o dia 21?

* Pedro Aparecido de Souza

A expressão  "ainda existem juízes em Berlim" passou a simbolizar a independência do judiciário.

Apesar do poder ser único e monolítico composto pelo executivo, legislativo, judiciário,  ministério público, polícia, imprensa e todas as superestruturas, Montesquieu bolou o Sistema de Freios e Contrapesos.

A ideia de Montesquieu, avançando em Aristóteles e Locke, era evitar que um poder de colocasse em superioridade ao outro, em especial do executivo sobre o legislativo e judiciário.

A maioria das Constituições traz esta ideia.

Quando o executivo escolhe os juízes para a Suprema Corte é um fato que vai de encontro ao sistema de Montesquieu.

Mas o judiciário federal tem se colocado desde 2009 como um carrinho de brinquedo nas mãos do executivo federal.

Desde 2009, o judiciário federal está nas mãos do executivo e não consegue aprovar sequer a recomposição das perdas inflacionárias para seus funcionários. Todos os projetos são originados e assinados pelos presidentes do STF.

Isto é uma subserviência inacreditável. Como não acredito nisto, acredito que seja fraqueza do presidente da Suprema Corte que não consegue manter a independência do poder judiciário.

Dia 21 será o dia em que teremos a prova dos 9.

Se o projeto de recomposição das perdas inflacionárias assinado por Lewandowski for vetado pela presidente do executivo federal, depois que foi aprovado na Câmara dos Deputados e Senado, não haverá juiz presidente do STF no Brasil.

A assinatura do presidente do STF não valerá um centavo.

Ainda existem juízes em Berlim. Lá.

Depois do dia 21, teremos presidente da Suprema Corte aqui?

* Pedro Aparecido de Souza

sábado, 11 de julho de 2015

O dia em que Lewandowski se transformou em Coveiro




* Pedro Aparecido de Souza





Ellen Gracie e Nélson Jobim passaram para a história do STF como os presidentes daquela instituição que defenderam a autonomia do Judiciário Federal e defenderam o reajuste dos Trabalhadores e Trabalhadoras no Judiciário Federal.


Mas isto foi num passado distante. Hoje o STF é um anexo, uma edícula do Executivo quando se trata de autonomia em relação à salários de Trabalhadores do Judiciário Federal.


Após ficar nove anos sem a reposição da inflação nos nossos salários, o PLC 28-2015 foi aprovado por unanimidade no Senado Federal que foi cercado por 10.000 Trabalhadores e Trabalhadoras do Judiciário Federal.


Dia 21 de julho de 2015 será o dia “C” para todos nós, Trabalhadores e Trabalhadoras do Judiciário Federal. Depois eu explico.


Dia 21 será o último dia para a presidente da República Dilma sancionar ou vetar o PLC 28-2015 e dependerá, objetivamente, de uma pessoa: o Presidente do Supremo Tribunal Federal - STF Ministro Ricardo Lewandowski.


Até agora, Lewandowski não disse a que veio. Ah! disse sim. Até agora só se preocupou com os reajustes dos juízes e fez coro com a crise econômica que o PT afirma todo dia que existe. Segundo a preocupação do governo federal, o reajuste para os(as) Servidores(as) do Judiciário Federal quebraria o país.


Segundo o governo federal, nosso reajuste pela recomposição das perdas inflacionárias de nove anos é responsável pela pobreza na África, pelo aquecimento global, pela falta de água e pela extinção dos dinossauros.


Um presidente que não assume de verdade uma defasagem vergonhosa de nove anos e se alia com os mesmos discursos do executivo não está a altura de uma instituição como o STF.


Ou defende o Judiciário ou então não serve para estar no STF.


Com uma defesa tênue da nossa recomposição das perdas inflacionárias de nove anos, Lewandowski coloca todo o Judiciário Federal sob uma escala de fragilidade nunca vista. São 130.000 mil Trabalhadoras e Trabalhadores que dão sangue todos os dias (dentre eles 30.000 aposentados(as) que deram sangue). Trabalhadores(as) qualificados(as) que são profissionais dedicados(as) e reconhecidos(as) pelos advogados que militam na Justiça do Trabalho, Justiça Federal e Eleitoral.


Quando estávamos no dia mais importante de nossas vidas, no dia 30 de junho de 2015, na votação do Senado, onde estava o chefe? Estava fora do país. Mas mesmo fora do país, atuou em conjunto com o governo e mandou um ofício, no mesmo momento que o governo federal, dizendo que havia negociação. O governo fez dobradinha e pediu para tirar de pauta. Forçamos e aprovamos por unanimidade.


Não são 130 famílias. São 130 mil famílias que esperam uma atitude do Presidente do STF.
Atitude de verdade, sincera. Até agora, não dá para confiar, por tudo que foi feito. Ou melhor, por tudo que não foi feito.


A sanção do PLC 28-2015 não depende de Dilma. Depende do Presidente do Poder Judiciário se colocar como Presidente de um Poder de verdade.


Onde está o Sistema de Freios e Contrapesos de Montesquieu? Será que Lewandowski entendeu que os Freios é pisar no freio para parar o reajuste e Contrapesos é lamentar que o momento é de crise e que temos que ser contra o peso e emagrecer por causa do ajuste fiscal?


Ajuste fiscal fizemos nós, passando nove anos sem recomposição das perdas inflacionárias por quase uma década. E é difícil explicar como isto aconteceu.


Peguei um táxi em Brasília e estava eu explicando para o taxista porque as avenidas da Esplanada dos Ministérios estavam fechadas com 10.000 pessoas protestando. Expliquei para ele que durante nove anos não recebemos a inflação e que nossos salários estavam congelados desde então. Ele não entendeu. Acho que não fui muito didático.

Aí eu expliquei novamente. “Vamos imaginar que preço da corrida de táxi ficasse congelada durante nove anos sem nenhum tipo de reajuste, o que o senhor faria?” Ele então respondeu: “ Aí não dá, subiu a gasolina, as peças de carro, o preço do carro, meu supermercado.” Aí ele conseguiu entender porque tinha 10.000 pessoas trancando as ruas e depois de um sorriso forçado, disse: “ É, vocês tem razão. Até fiquei com dó. Sempre pensei que quando aumentava os salários dos juízes, aumentava o de vocês”.


Voltando ao Dia “C”. Dia 21 de julho de 2015 poderá ser o dia do “C” de Coveiro.


Caso o PLC 28-2015 seja vetado no dia 21 de julho de 2015, Lewandowski terá ser tornado o Coveiro de 130.000 famílias e do próprio Judiciário Federal.


A culpa será do Presidente do Supremo Tribunal Federal que até agora não se impôs como Presidente do STF.


Mas nós não seremos enterrados. Vamos mostrar que estamos vivos e não aceitamos ser enterrados por nenhum Coveiro!


Portanto, Lewandowski poderá passar para a História com o presidente que no último momento virou a mesa como Ellen e Jobim. Ou passará para a História como o Coveiro do Judiciário Federal.


A palavra está com o Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Ricardo Lewandowski.


Coragem, Presidente! É preciso coragem para viver e para viver é preciso coragem.

Respeitosamente, Excelência.



* Pedro Aparecido de Souza é Servidor Público no Judiciário Federal


11 de julho de 2015